As atividades do projeto de extensão “Arandu 3D: tecnologias assistivas que conectam saberes e promovem o ensino de ciências no semiárido” se iniciaram nesta semana. A estreia da iniciativa contou com uma roda de diálogo sobre os caminhos da inclusão no território, bem como com uma oficina de capacitação em Braille.
Destaca-se a presença de pessoas com deficiência visual que enriqueceram o debate: a Professora Doutora Adenize Queiroz, da UFPB; João Paulo, estudante do curso de pedagogia do Campus Angicos; e Ana Luzia, estudante do ensino médio técnico em Pedro Avelino. Ademais, foi de suma importância a Professora Mércia, que atua na Educação Básica e possui ampla experiência com a educação inclusiva. Os eventos também contaram com a participação de outros docentes e alunos da Universidade e de escolas da região.
Hoje vivenciamos não só um sistema de escrita, e sim uma ferramenta de inclusão, autonomia e acesso ao conhecimento!
O projeto
Desenvolvido no âmbito do Programa de Educação Tutorial (PET) Conexões de Saberes — Comunidades do Campo e coordenado pelas professoras da Ufersa Angicos Gislene Borges e Alessandra Soares, o projeto busca solucionar uma lacuna histórica: a escassez de materiais didáticos acessíveis para o ensino de ciências na educação básica regional. Dados do Censo IBGE (2022) indicam que, no município de Angicos, 72,82% das pessoas com deficiência não possuem instrução ou têm o ensino fundamental incompleto. O projeto busca intervir justamente nessa etapa formativa, garantindo que alunos com deficiência visual tenham acesso a ferramentas adequadas para o aprendizado de ciências. Logo, a proposta atuará diretamente nesse gargalo educacional.
Partindo do princípio de que os sentidos originais fundamentam o conhecimento científico, o projeto utilizará a impressora 3D do Campus para desenhar e fabricar objetos pedagógicos tridimensionais com usabilidade tátil — como estruturas celulares, formas geométricas e elementos da natureza do semiárido. O diferencial do Arandu 3D é a atuação direta dos professores da rede pública em todas as fases, atuando desde o diagnóstico das demandas escolares até a validação e aplicação dos protótipos.
Ao todo, serão beneficiados 8 municípios integrantes da 8ª Diretoria Regional de Educação e Cultura (DIREC): Angicos, Afonso Bezerra, Caiçara do Rio do Vento, Fernando Pedroza, Jardim de Angicos, Lajes, Pedro Avelino e Pedra Preta.
Além do impacto direto nas salas de aula da educação básica, os modelos digitais produzidos serão disponibilizados gratuitamente em acesso aberto, permitindo que a tecnologia e o conhecimento gerados pela Ufersa continuem a ser multiplicados em outras regiões.




